O Trabalhismo não é Quarta Teoria Política
O Trabalhismo Brasileiro não tem relação histórica com Alexander Dugin, com o Nacional Bolchevismo e com a Teoria que surgiu após a dissolução disso. Historicamente ligado às lutas populares, a conquistas de direitos, o Trabalhismo surge do movimento Queremista em defesa de Getúlio Vargas e sua volta aos moldes democráticos.
Há uma relação histórica do Trabalhismo com a questão nacional, mas isso não se dar no plano unicamente identitário, se dar na defesa da soberania nacional e da independência nacional.
O processo de independência nacional forjado nas lutas e nas revoltas, principalmente da Revolução Farropilha e Pernambucana constituem gérmens para conceber o ideal nacional de Brasil ainda que regionalizado, mas em vias de se nacionalizar. O José Bonifácio se utilizou desse amplo descontentamento popular e das elites regionais do Brasil para amalgamar o ideal de Brasil em torno da manutenção da coroa portuguesa aqui no Brasil.
Esse subterfúgio serviu para forjar o ideal de nação do Brasil, mas não só, mas a partir da manutenção da economia antes colonial, ao passo que a independência se deu em alguns moldes conservadores.
Apesar disso, desde revoltas populares e regionais o processo de independencia sempre se deu junto a uma reivindicação de mudança para o regime republicano, alcançado somente em 1889.
Nesse sentido apesar da Independência e da proclamação da República não estarem na boca das elites, elas estavam desde antes nas pautas do povo e das regiões. Nesse sentido, o tom dado pela república ganha tons regionais com conquistas nacionais, principalmente com a ascensão de Getulio Vargas ao poder em 1930.
Não se pode ignorar que o desenvolvimento histórico com suas não linearidades, com saídas e entradas de concepções, seja por conquistas e perdas, se tornou sinônimo de como o trabalhismo vai ser moldado, enquanto cultura política genuinamente nacional.
Logo o Trabalhismo não guarda muita conexão com a realidade russa e a quarta teoria política, porque o desenvolvimento histórico que congregou desde Getúlio Vargas, passando por Alberto Pasqualini, Guerreiro Ramos, Jango, Brizola, Vania Bambirra, Thetonio dos Santos e Lelia Gonzalez, conduzem ao Trabalhismo, que a princípio esteve ligado à Doutrina Social da Igreja, mas não se manteve apenas e tão somente ligado há alguns valores disso, pois incorporou contribuições importantes do ISEB durante o governo JK e Jango e principalmente da TMD (Teoria Marxista da Dependência).
Claro que a relação histórica com o nacionalismo é de modo que coloca ele como anti-imperialista, assegurador de uma democracia social e com políticas sociais universais, que colocam a questão nacional não como enfeite, como meramente tão somente simbólica, folclorica e estética, mas coloca um conteúdo pautado na realidade de luta de classes, que atravessa as desigualdades sociais no Brasil, que aparta boa parte do povo pobre de seus direitos e garantias.
Nesse sentido o progressivo e legítimo avanço na conquista de direitos sociais e trabalhistas, coloca a defesa das estatais estratégicas e do caminho brasileiro para o socialismo como não só palavras de ordem, mas com conquistas históricas, não como uma economia meramente protecionista ou num conservadorismo ou liberalismo de costumes, porque a isso não se pauta o trabalhismo, porque são pautas irreais e alheias a realidade do povo em geral.
Para o povo pouco importa os costumes particulares, quando se trata de realidade social, as políticas tem que ser universalizantes e não focalizadas, identitárias ou fragmentadas. Existe o bem estar do povo em geral que coaduna para o bem estar dos grupos sociais e conciliação de interesses entre esses grupos.
A Economia deve cumprir uma função social e a política também, para o trabalhismo parte da democracia liberal é uma conquista, mas as conquistas não devem se esgotar na defesa unica e exclusiva da democracia liberal, mas sim da democracia social em franca expansão.


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