Renascimento Italiano e sua Historicidade: Entre Ruptura e Tradição
Existiram outros renascimentos antes do Renascimento italiano, isso provocou uma reinterpretação do que se convencionou a chamar de arte clássica greco-romana e sua reinterpretação cristã-medieval.
O processo de reinterpretação inseriu essa série de renascimentos anteriores ao Renascimento italiano numa lógica anacrônica de resgate histórico, enaltecendo a alegoria e o sentimento cristão dado a este tipo de arte.
Panofsky fala em seu texto do princípio de disfunção que coloca os movimentos classicistas da idade média como produtores e promotores de uma arte que tem uma forma clássica, mas possui uma reinterpretação do significado que é cristã.
Panofsky elenca os renascimentos medievais como renovatio carolíngia, proto-renascimento do século XII, proto-humanismo, renascimento otoniano e o fredericiano como tipos de renascimentos cristãos-medievais.
Deve-se analisar os renascimentos do ponto de vista histórico e artístico e como se deu a construção de sentido atribuído pelos artistas, filósofos e pensadores envolvidos.
Sob a lógica do anacronismo os outros renascimentos não poderiam ter sido considerados “verdadeiros”, por causa do sentido e da intencionalidade com que se resgata o classicismo.
Sob lógica histórica, o Renascimento italiano é considerado “verdadeiro” e até mesmo onipresente por Panofsky, porque há uma ruptura com os outros renascimentos anteriores. Há um resgate histórico que coloca elementos artísticos dotados de sentidos semióticos atribuídos que colocam a arte clássica não como enfeite ou alegria, mas a Renascimento italiano, revisita o clássico com o intuito de transformar a realidade histórica.
Nesse sentido, a continuidade se dar no movimento de revisita, a ruptura está na ressignificação e na adoção de técnicas artísticas e filosóficas de forma a demarcar a diferenciação do Renascimento e dos outros renascimentos.
Panofsky em seu texto elenca exemplos de obras de arte e artistas como Giotto e Boccaccio com o intuito de enaltecer qual Renascimento é o “verdadeiro” e o onipotente e onipresente.
Nesse sentido, não se pode afirmar taxativamente, que só a revisita aos clássicos define qual renascimento é o “verdadeiro”, mas vai depender da intencionalidade, da busca dos clássicos, da sua ressignificação na realidade artística e social, na nova chave hermenêutica de leitura moderna, que reinterpreta os clássicos para além de uma visão puramente cristã, mas coloca uma visão humana, como critério e como chave de leitura primordial.
Por isso, o empenho dos Humanistas e do Renascentistas italianos estava em aprender como a língua original dos escritos e a partir de uma leitura e interpretação primordial, poder ir levar o Renascimento para uma intencionalidade política e cultural, característica dos seus tempos.


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